• Confia

Riscos e confiança em tempos de Pandemia

Por Marcone Gonçalves e Rodrigo Ledo*


A crise da pandemia de Covid-19 acentuou a desconfiança crônica que permeia relações em sociedade, um fenômeno que já ocorria, por exemplo, na volatilidade do ambiente da internet. Ao impulsionar a chamada “vida digital”, o distanciamento social acelerou mudanças de comportamentos na vida diária de indivíduos, família e empresas, requerendo soluções e medidas inéditas das instituições e lideranças nos setores público e privado.


Mas como prover respostas rápidas se a própria crise pandêmica coloca em xeque a efetividade de lideranças e suas ações? Afinal, vivemos a era das fake news, que invadiram as redes sociais, especialmente aquela que hoje é mais importante e presente no cotidiano dos brasileiros, o WhatsApp. Temos aí uma “epidemia dentro de uma epidemia”: dúvidas generalizadas sobre a veracidade dos fatos políticos, econômicos e até mesmo científicos - uma verdadeira “infodemia".


Seguindo esse contexto, é preciso refinar a visão sobre essência da confiança. Em primeiro lugar, não se pode dizer que confiança decorre unicamente da tecnologia - porque, conceitualmente, as ferramentas modernas provocam no imaginário das pessoas a ambiguidade de praticidade/eficiência versus impessoalidade/“risco invisível”. Valorizar "o novo" simplesmente por ser novo não tem sentido algum. Por outro lado, a confiança também não pode depender apenas de reputação de pessoas, grupos e instituições, porque boa imagem e status social não implicam necessariamente a adequação aos tempos modernos, a eficiência de processos.


Para evitarmos um ambiente corrosivo, em que todos olham para todos com um misto de competição e descrédito, as instituições devem mesclar elementos sólidos e identificáveis: (1) a observação dos anseios sociais, as novas demandas das pessoas para terem segurança em seu cotidiano; (2) o posicionamento claro sobre suas credenciais e papel social; (3) a adoção de tecnologias avançadas compatíveis com sua missão.


Traduzindo no popular essa combinação de fatores, pode-se usar um novo trocadilho com um velho ditado: não basta à mulher de César nem parecer honesta, nem ser honesta - ela deve SER E PARECER honesta. Ser confiável (credenciais) e oferecer confiabilidade (benefício concreto).


Empresas e pessoas físicas precisam dispor de mecanismos que garantam a segurança das fontes de informações, além da união de ferramentas tradicionais com as inovadoras. Significa assegurar as suas transações no mundo digital como o fazem no mundo físico. E significa assegurar o casamento harmônico dessas duas esferas: relações analógicas acoplando em processos digitais.


*Marcone Gonçalves é consultor de empresas, especialista em gestão de crises no setor público, ex-secretário de Comunicação do Superior Tribunal de Justiça e sócio da TORRE Comunicação e Estratégia;


Rodrigo Ledo é consultor de empresas especializado em comunicação política e regulatória e sócio da TORRE Comunicação e Estratégia.

© 2020 Todos os direitos são reservados à Confia.